segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dízimos e Ofertas

Escrito por: Natan Teodoro.


Após alguns comentários aqui Blog e no Facebook, algumas pessoas apresentaram sugestões para novos temas, e, por questões democráticas decidi postar sobre o primeiro tema que recebi. Não que este seja melhor ou mais importante que os outros, mas é igualmente polêmico e instigante.

Pois bem, falaremos neste momento sobre dízimos e ofertas. Para alguns uma ordem dada por Deus, ordem essa sem possibilidade de ser refutada ou protestada por ninguém, obrigação de todo e qualquer crente que ama e tem fé em Deus. Para outros mais uma má interpretação bíblica feita pelas instituições religiosas, principalmente as cristãs de cunho pentecostal e neopentecostal que, aproveitando da inocência e temor dos membros, enganam o povo para encher o bolso dos pastores.

Será que alguma dessas duas opiniões estão certas? Ou existe uma terceira que é capaz de ter equilíbrio, não ferir o sentimento dos fiéis que dão o dízimo e ser capaz de convencer os mais críticos a ponto deles aceitarem uma contribuição como esta? Talvez é o que tentarei fazer aqui, construir uma opinião que possa ser embasada na Bíblia e ter o bom senso de chegar a um ponto de equilíbrio na questão.

Primeiramente começaremos analisando a situação em que vivemos: Vejo alguns apelos dramáticos em favor do dízimo e das ofertas, principalmente pela televisão existe uma pressão envolvendo o dar o dízimo. Essa coação vem com promessas de bênçãos divinas tais como: “Deus te recompensará em dobro”, “Assim você está demonstrando sua fé” entre outros apelos geralmente emotivos. Enquanto isso vemos catedrais sendo erguidas, igrejas cada vez mais sofisticadas e luxuosas, emissoras de televisão e de rádio sendo adquiridas pelas instituições religiosas, pastores enriquecendo de forma exorbitante mostrando isso com carros importados, fazendas, mansões e etc.

E, por outro lado, um grande grupo que critica ferozmente as instituições religiosas, seus pastores chamando-os de ladrões e seus membros insultando-os de ignorantes, bobos, inocentes e por ai vai. Dentro deste grupo estão geralmente ateus, cristãos de uma linha que defende um evangelho mais social de porte assistencialista e até revolucionário e pessoas que são denominadas “sem-religião”, estes se definem como um grupo que não frequenta instituições religiosas, mas que creem no Deus da Bíblia e em Jesus Cristo.

Antes de julgarmos vamos a Bíblia, lembrando que não farei um estudo profundo da Bíblia, mas trarei algumas informações importantes sobre o tema, tentando esclarecer esta discussão: No Antigo Testamento temos algumas referências aos dízimos que merecem toda nossa atenção, uma delas é o primeiro dízimo a ser pago por Abrão a Melquisedeque (Gênesis 14) relembraremos essa referencia mais tarde.

A instituição e a finalidade dos dízimos é descrita na Lei – Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia que são a Lei que os judeus seguem) e lá nos mostra que os dízimos eram para sustento dos Levitas (pessoas de uma tribo que trabalhavam no Templo), pois, estes não possuíam propriedade nenhuma (Números 18:21-24) e para sustento das viúvas, órfãos e estrangeiros que não pudessem se sustentar sozinhos (Deuteronômio 14:28-29). No resto do Antigo Testamento as referências sobre os dízimos se mantém apenas como citação a Lei, somente escapa desse quadro o emblemático texto de Malaquias 3:6-12 que é o principal argumento para os que defendem o dízimo.

No caso de Malaquias temos uma pequena confusão: Quando alguém fala, este fala para um ou mais ouvintes, logo, se temos um profeta que é Malaquias, temos uma profecia/acusação que é o texto de Malaquias 3:6-12, temos que ter, portanto, alguém que ouve estas palavras, que são os sacerdotes e levitas de Jerusalém e não o povo todo. Concluo isto a partir das referências iniciadas no capítulo 2 onde o discurso começa: 2:1, 2:4, 2:8 e 9:2-11 neste caso Judá e Jerusalém referem-se à cidade considerada santa, onde se localizava o templo mais importante de Israel; 2:13 referência aos que cuidavam do templo tanto sacerdotes quanto levitas, pois, eram os únicos que podiam tocar no altar e nas coisas do templo; 3:3-4 e por fim desemboca no 3:6-12:
6 Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. 7 Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? 8 Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. 10 Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida. 11 Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. 12 Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos.
Não coloquei os outros versículos nosso texto não ficar muito extenso, mas espero que acompanhe na sua Bíblia.

Alguns podem se referir ao versículo 9 onde se refere a “nação toda”, porém, analisando a Bíblia na língua hebraica percebo que as palavras “vós” e “toda” que respectivamente antecedem e sucedem a palavra nação não estão contidas no texto hebraico, portanto, eu traduziria como “roubais a mim e a nação” sendo uma mensagem direta para os antigos administradores dos dízimos que, provavelmente gerenciavam os dízimos de forma errada, esquecendo-se das viúvas, órfãos e estrangeiros.

As únicas referências aos dízimos no Novo testamento são Mateus 23:23; Lucas 11:42, ambas referindo-se ao mesmo episódio em que Jesus critica os fariseus por dar o dízimo e esquecer-se dos preceitos como justiça, misericórdia e a fé; Lucas 18,12 relembrando o discurso de Jesus sobre a oração hipócrita do fariseu acrescentando o dízimo como sinal de justiça de sua parte e a oração contrita do publicano. Hebreus 7:2 e 4 retornando ao primeiro dízimo descrito na Bíblia, que Abrão deu a Melquisedeque, porém, essa referência não alude a grande fé de Abrão em dar o dízimo e sim acena para a grandeza de Melquisedeque. Ou seja, os textos que se referem ao dízimo no Novo Testamento o citam de forma indireta sem muitas pretensões.

No caso das ofertas temos o mesmo conceito, porém, sem distinção de valor, isto é, temos algo que precisa ser tratado com voluntariedade, contemos apenas algumas instruções neotestamentárias: A oferta não deveria ser entregue se houvesse algum atrito entre o ofertante e outro alguém (Mateus 5:23-24); o valor da oferta não é critério para defini-la, mas a atitude de quem ofertou (Lucas 21:1-4).

Nisto podemos chegar a algumas conclusões: Primeiramente uma critica ao radicalismo conservador que defende os dízimos – o dízimo não é critério de fé ou de amor a Deus, nem investimento que deve lucrar, também não é obrigação do membro, estamos tratando de instâncias voluntarias que são os dízimos e as ofertas, estas servem para manutenção física da construção que chamamos de igreja. Em alguns casos o salário dos que se dedicam exclusivamente aos afazeres da igreja, apoio aos que necessitam de ajuda financeira mesmo que este não esteja credenciado no rol de membros da instituição e critério para definir a efetividade e honestidade do administrador do montante dizimal.

Segundo uma critica aos mais rancorosos contra o dízimo e as ofertas – temos uma instituição que é reconhecida com (na maioria das vezes) CNPJ, isto reflete uma condição, ou seja, existem gastos dentro desta instituição, gastos estes que não vem de nenhuma iniciativa privada e nem dos benefícios públicos, a única vantagem que o Estado dá para as instituições religiosas é a isenção de impostos tendo em vista o trabalho que muitas igrejas fazem de recuperação de drogados, depressivos, doentes e etc. Isto reflete na sociedade como um favor que a igreja faz, portanto não é possível alguma igreja se manter sem ajuda de custo de seus membros, nisto reside à importância dos dízimos e ofertas.

Por isso a única coisa a ser questionada e protestada é a forma como o dízimo é exposto aos fiéis e a forma como é administrado pelos líderes religiosos, nisto também habita a urgência de criticas melhor orientadas e direcionadas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Polícia para que precisa? Polícia para que precisa de polícia?

Escrito por: Natan Teodoro.


Passado algum tempo desde a ultima postagem resolvi escrever sobre um tema um tanto quanto chato e polêmico, falaremos sobre a polícia em geral, porém, mais especificamente a militar.

Este tema surgiu após ver no noticiário a ação da polícia militar para tirar os manifestantes e índios do antigo museu do Índio, que agora será transformado em museu olímpico aqui.

Alguns podem dizer que era necessário que a polícia agisse de tal forma, pois, foi expedido uma ordem judicial para que os índios saíssem do local. Mas, antes de dar minha opinião sobre o acontecido vamos relembrar de alguns episódios onde a nossa querida polícia militar estava envolvida:

E se nós fossemos continuar dando exemplos teríamos uma lista enorme aqui, no entanto, acredito que estas ocorrências nos dão uma visão bem ampla do padrão da ação da PM. Pois bem, penso agora: será que ainda preciso relatar aqui minha opinião? Para todos os efeitos, caso exista alguém que ainda não entendeu vamos dialogar. Penso em policiais como cidadãos comuns assim como os demais, que sofrem as mesmas injúrias sociais que todos das classes mais pobres sofrem, até porque um policial não ganha um salário alto; moram nos mesmos locais que indivíduos comuns moram, fazem as mesmas coisas que todo mundo faz fora do trabalho; mas existe algo que difere entre um policial e eu: um JURAMENTO que todos os policiais fizeram, juram ser fiéis a ideologia militar e ao país em qualquer circunstância, mesmo que ele mesmo seja prejudicado.

No caso de ser leal a ideologia militar acredito que estão cumprindo fielmente este juramento. Agora fidelidade ao país há controvérsias. Primeiramente o que é o país? Será que é a Câmara dos Deputados, ou o Senado, ou qualquer estância política ou hierárquica?

Creio fielmente que o país são os que nele vivem, e que sem essa massa de cidadãos comuns, na sua grande maioria pobres, não existe organização e fundos monetários para a existência de um Estado, ou seja, nós somos o Brasil e devemos ser a prioridade de qualquer ação política e militar. No entanto, a ação da polícia militar está em favor dos interesses das elites brasileiras que, infelizmente controlam grande parte do elenco político do nosso país.

Isto podemos notar nas próprias ações que elenquei aqui, vemos três ocupações de terrenos que são protestados por grandes impérios econômicos, e na USP com desculpas pouco razoáveis agiram de forma truculenta e desnecessária contra um manifesto pacífico pela educação publica no país.

Com isso, concluo que o sistema militar trabalha em função dos interesses das classes mais ricas do país em detrimento das mais pobres e, consequentemente as que mais necessitam do sistema de segurança, mesmo sendo os policiais indivíduos comuns, estes trabalham em favor da casta a quem eles não pertencem, portanto, lutam contra si mesmos.

E no caso da desocupação do museu do índio, acho uma grande falta de respeito com os índios que ali viviam e com a cultura indígena. Mas, infelizmente vivemos num país com pouca consciência histórica, um povo que não se importa com suas raízes e com sua cultura, até porque esse maldito e aclamado progresso econômico está sendo construído em cima das bases históricas e culturais de um país múltiplo e diverso sem deixar rastro nenhum de que aquela riqueza cultural e vivencial um dia aqui existiu, é a nossa ganância pelo futuro e pelo dinheiro.