Por: Natan Teodoro
Estamos numa sexta-feira as vésperas de um "feriadão" prolongado, menciono feriadão com aspas porque no estado de São Paulo carnaval não é feriado, e sim, ponto facultativo, tanto é que, em alguns locais de trabalho haverá expediente, e, se não houver trabalho serão descontados os dias de folga. Pois bem, voltando ao assunto, venho escrever justamente sobre o dito feriado que se aproxima.
O carnaval surge na Grécia em meados do ano 600 a 520 a.C. para agradecer aos deuses da fertilidade. No ano 590 d.C. a Igreja Católica anexa esta festa no calendário cristão como a festa do "Adeus a carne" ou do latim "Carna Vale" dando origem ao termo carnaval. Nesta época haviam festejos populares, cada um ao seu costume e local.
O carnaval moderno como conhecemos hoje surge na sociedade parisiense no século XIX, neste contexto surgem fantasias, festas, desfiles e etc. Este estilo foi importado para muitas cidades do mundo, tais como Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro, esta ultima situada na costa brasileira, mistura este carnaval com escolas de samba, gênero musical criado no Brasil com raízes africanas. Este estilo de carnaval surgido no Rio de Janeiro é exportado para cidades como São Paulo, Tóquio e Helsinque - (Fonte).
Portanto, temos três principais razões para celebrar o carnaval: agradecer aos deuses da cultura grega da fertilidade, celebrar o adeus a carne no ponto de vista católico ou simplesmente um motivo de participar de uma festa cultural com samba, desfiles, fantasias e etc. O motivo do carnaval não é importante nessa postagem o que realmente importa são as causas desta festa.
Alguns dados importantes sobre o período do carnaval: As indenizações pagas pelo DPVAT (Seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre) entre 2009 a 2013 no período de carnaval aumentaram 116% - (Fonte), acidentes por causa de imprudência ao volante causadas por embriaguez causaram no carnaval de 2013 o número de 396 acidentes em rodovias federais ocasionando 191 feridos e 7 mortos - (Fonte).
Nesta época do ano aumenta-se a frequência de relações sexuais entre os participantes do carnaval, e, misturado ao álcool e outras drogas, acabam esquecendo dos métodos de proteção contra as DST's (Doenças Sexualmente Transmissíveis) apesar de não existir uma instituição ou uma pesquisa que mostre o número de casos contraídos na época do carnaval, as secretarias de saúde tentam minimizar os possíveis efeitos negativos do carnaval em relação as DST's por meio de campanhas conscientizadoras - (Fonte). Sem falar do consumo de drogas ilícitas, violência causada pelo excesso de álcool, crimes como roubos, destruição de patrimônio publico e etc.
Talvez com todos estes dados, não seria necessário comentar mais nada sobre o adeus a carne, porém, caso ainda seja preciso algum comentário, sigo com minha opinião;
- Primeiro: Num sentido social temos um grande déficit no que tange as finanças publicas, ou seja, a maioria das prefeituras financia uma parte das festas carnavalescas com o pretexto de um momento cultural, temos como comentado o aumento das indenizações pagas pelo DPVAT, que é uma instância governamental, sem contar os gastos com todo o processo de socorro aos acidentados como ambulâncias, pronto socorros, cirurgias e materiais de enfermaria; pagamentos com o grande mutirão de limpeza nas ruas e assim por diante.
- Segundo: No ponto de vista religioso temos uma festa que é denominada o adeus a carne, mas o que realmente aparenta é o "Olá a carne", pois, uma vez por ano é permitido fazer tudo aquilo que geralmente não se faz no resto do ano, um momento onde são libertos todos os desejos carnais contidos dentro do ser humano, e comete-se uma variedade de pecados, pois, estamos na época em que tudo isso é permitido, "justificável" e considerado como parte de nossa cultura.
Não quero aqui bancar o moralista santarrão, creio firmemente na graça de Deus apesar de nossas falhas, no entanto, é uma atitude que denota um desejo carnal intrínseco muito forte nas pessoas, pois, estas mesmas pessoas não se tornam pecadoras nesta época, mas apenas mostram quem realmente são no carnaval, por este motivo acredito que não houve transformação na vida de tal indivíduo, que, muitas vezes é cristão.
Por esses motivos sou contra o carnaval e todas as suas consequências, não sou a favor dos investimentos públicos com esta festa, pois, é dinheiro que nós, cidadãos damos por meio de infinitos impostos. Estes mesmos impostos deveriam ser aplicados em educação de qualidade, saúde, segurança, moradia e projetos sociais de real importância. E não com eventos que muitas vezes repudiamos.
Natan Teodoro e Joyce Caldeira, juntos desde sempre como grandes amigos, desde 2008 como um casal, e desde 2012 casados pela cerimônia cristã.